Liveurs – Underground Reality Show


Texto – Sonhos
30/10/2010, 02:33
Filed under: Sem categoria | Tags:

Somente escuto o grito desesperado dos sonhos que foram sufocados pelos medos, amordaçados pelo fracasso e esquecidos pelo tempo. Mas recordo com saudade quando pelo simples encontro das pálpebras eles eram gerados e alimentados pela esperança. Depois disso regados pela ausência do conhecimento das dificuldades imaginaria e germinavam como crianças ingênuas correndo num vale verde de reflexões.

Onde os dias eram sepultados como se não tivessem importância, pois tudo parecia uma questão de acreditar e acontecer. Num simples estalar de dedos o impossível se tornava real, se formando da maneira mais perfeita e bela.  Sabores tornavam as cores do aroma em um espetáculo dissonante de sensações. A morte vagava pela plenitude da vida sem sentido e até mesmo onde existiam pés foram arrancados e sobre as costas constituídas um par de asas.

Ódio transfigurou em um oceano de amor e o respeito nadava entre as algas que se depositavam no fundo, mas sobre o balanço das ondas imergia sem razão um cardume de ciúmes.  Porém no alto sobre as nuvens que se formavam a inveja escureceu o céu, impedindo de que os raios vividos que se lançavam do sol tocasse as águas, um arco Iris em tons de cinza apareceu por de trás da montanha e a noite fez trevas no primeiro fracasso do coração, como areia que se espalha ao vento e sonhos que se dissipam ao abrir dos olhos.

Parecia uma alucinação constante, acreditar nas coisas que a percepção dos olhos não revelava. Derramar sobre a fé uma gota de colírio na esperança de poder ver além do que já se tinha visto. Sabendo que agora de nada mais adiantava os óculos escuros porque a noite torna inútil tudo aquilo que depende da luz para existir, como saber o tamanho se não se pode ver as formas. Na rotina de cada detalhe uma historia é revelada em silêncio, como aquela de quando furtaram sua confiança nas ladeiras do destino, e daquele vago momento que pouco restou a não ser uma lembrança embrulhada com papel de passado.  

Fortificou na boca muralhas, afiou a língua com palavras, lançou flechas na curiosidade daquilo que se move com vida. Não desceu do céu, nem subiu da Terra, está enrustido nas entranhas da falta de perdão do seu espírito ou talvez na busca incessante de companhia para não aceitar o carinho da solidão.  Água desliza pelo corpo transportando as impurezas, no atrito do sabão com a pele nasce à espuma, gerando pelo ar bolhas de sabão, a toalha acolhe os pingos que se seguram e o pente conserta o desalinho dos cabelos. Convocada a escova afugenta o aroma do sono e ainda sobre o despertar confuso da noite procura dentro das gavetas da lembrança onde estão perdidos os sonhos e a velha vontade de ser um feto de novo.

“Por meio dos sonhos, das visões noturnas, quando um sono profundo pesa sobre os humanos, enquanto o homem está adormecido em seu leito,”
Jó 33:15
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